quinta-feira, 20 de julho de 2017

Investimento da China no Brasil cresceu 13% em 2016

20/07/2017 - Valor Econômico

Os investimentos chineses no Brasil cresceram entre 2015 e 2016 e indicam uma consolidação da estratégia da China para ampliar sua participação na economia brasileira. Nos últimos dois anos, o país asiático tem pulverizado seus aportes em mais setores e apostado com ênfase maior em fusões, parcerias e compras de empresas, em vez de projetos novos. Além disso, as licitações de projetos de infraestrutura se apresentam para o investidor chinês como novo vetor para futuros investimentos.

De acordo com o Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), o total de investimentos feitos por empresas chinesas no país em 2016 chegou a US$ 8,397 bilhões, crescimento de quase 13% em relação ao ano anterior. Levantamento mais atual, da consultoria inglesa Dealogic, mostra que as inversões chinesas em território brasileiro atingiram US$ 6,176 bilhões no primeiro semestre deste ano.

O total verificado pelo CEBC diz respeito a 12 projetos confirmados ao conselho pelas empresas envolvidas. Há ainda quatro projetos com aportes pendentes que somam US$ 4,1 bilhões. Dos 16 projetos de investimentos chineses no país no ano passado, o CEBC verificou que oito deles foram executados por meio de operações de fusão e aquisição e quatro joint ventures. Os outros quatro são aportes em iniciativas novas ("greenfield").

Esse movimento é um dos destaques do estudo CEBC. Mostra que a China está consolidando sua expansão econômica global de forma mais estratégica. "A preferência dos chineses em adquirir ativos locais pode ser explicada em parte pela facilidade em operar a partir de empresas já consolidadas no mercado doméstico e pela vantagem oferecida por terem expertise prévia de operação no Brasil", assinala o relatório.

Os 16 projetos que receberam e receberão investimentos chineses estão distribuídos em nove setores, com destaque para cinco projetos em energia elétrica e dois em infraestrutura. Há ainda dois projetos no setor de eletrodomésticos e outros dois da área financeira. Atividades de mineração, siderurgia, telecomunicações, automotiva e agronegócio têm um projeto identificado cada com capital chinês.

"Esses investimentos têm caráter geopolítico estratégico, com um componente econômico e empresarial muito maior do que aqueles dos aportes feitos até 2010. Até essa época os aportes eram mais concentrados em commodities. Agora o Brasil entrou na rota de valor do capital chinês", diz Fabiana D'Atri, economista do Bradesco especializada em China e mercado asiático.

A partir de 2014, ano marcado pelo começo da pior recessão vivida pelo Brasil, o fluxo de investimento chinês no país registra seu pior ano, mas ao mesmo tempo começa a passar por uma inflexão. No ano seguinte os aportes da China ressurgem com força em termos de volume e passam a acompanhar o compasso das inversões chinesas globais.

"Empresas chinesas passaram a comprar multinacionais de diferentes setores e com operações em vários países em que a China têm interesse, o Brasil é estrategicamente um desses países", afirma a economista do Bradesco.

Ao longo de 2015 as compras feitas por empresas chinesas no mundo bateram recorde histórico ao superar US$ 60 bilhões, com impacto direto no Brasil.

Exemplos são as aquisições das gigantes do agronegócio Nidera e Noble pela Cofco e da Pirelli, comprada pela ChemChina, do setor petroquímico. Depois do fechamento de negociações de âmbito global, ambas as empresas chinesas herdaram operações grandes no mercado brasileiro.

As licitações no setor de infraestrutura se desenham como outro canal de entrada do capital chinês no Brasil, o que deve manter elevado o nível de aportes até o fim deste ano e em 2018. "O déficit brasileiro nesse setor abriu uma janela de oportunidade para os investidores chineses, já reconhecidamente experientes na execução de projetos de infraestrutura. De forma complementar, a China dispõe do capital necessário para levar adiante iniciativas nessa área que se alinham com os interesses chineses na região", assinala o CEBC.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Primeira base militar chinesa além-fronteiras sugere nova estratégia de Pequim para África

17/07/2017 - Diário de Notícias (Portugal)

A China enviou esta semana soldados para a sua primeira base militar além-fronteiras em seis décadas, no Djibuti, sugerindo uma mudança na sua estratégia para África, segundo analistas.

A inauguração da base militar no Djibuti servirá para apoiar missões anti-pirataria, de manutenção da paz e assistência humanitária em África e na Ásia ocidental, de acordo com Pequim.

A abertura da base ilustra também a expansão do alcance das Forças Armadas chinesas, acompanhando a crescente influência da China no continente africano.

O país asiático é o principal parceiro comercial de África, de onde importa grande parte das matérias-primas de que precisa.

A China e o Djibuti estabeleceram relações diplomáticas em 1979, mas a presença chinesa no país só ganhou ímpeto nos últimos anos, com a construção de grandes infraestruturas, que incluem um porto, dois aeroportos e uma ligação ferroviária à Etiópia.

Pequim está a experimentar no Djibuti como "estabelecer uma presença a longo prazo que seja bem-vinda e beneficie a população local", escreve François Dubé, jornalista na revista ChinAfrica.

"Apenas assegurando o apoio das comunidades locais, a China pode concretizar as suas ambições na região: desenrolar a 'Rota da Seda Marítima do Século XXI'", acrescenta Dubé.

Divulgado em 2013 pelo Presidente chinês, Xi Jinping, aquele projeto visa reativar a antiga via comercial entre a China e a Europa através da Ásia Central, África e sudeste Asiático.

O projeto inclui uma malha ferroviária, portos e autoestradas que permitam à China assegurar o fluxo de recursos naturais para o seu mercado e dos produtos transformados para a Europa.

As instalações do Djibuti permitirão também à China retirar cidadãos chineses radicados em África e no Médio Oriente. Só no continente africano, estima-se que vivam cerca de um milhão de chineses.

Em 2011, Pequim teve de retirar 35.000 cidadãos chineses da Líbia, durante a guerra civil no país, no que terá alertado as autoridades chinesas para a importância de uma presença militar além-fronteiras.

Segunda maior economia do mundo, a seguir aos Estados Unidos, e país mais populoso do planeta, a China não tinha uma presença militar permanente fora do país desde a Guerra da Coreia (1950-53).

O princípio de "não intervenção" foi durante décadas apregoado pela diplomacia chinesa.

Contudo, desde a ascensão ao poder de Xi Jinping, em 2013, Pequim passou a adotar uma política externa mais assertiva.

Nos últimos anos, passou a reclamar a quase totalidade do Mar do Sul da China, onde construiu ilhas artificiais capazes de receber instalações militares em recifes disputados pelos países vizinhos.

Os Estados Unidos mantêm no Djibuti a sua única base militar no continente africano, Camp Lemonnier. Espanha, França, Itália e Japão também têm instalações militares no país.

O aluguer da base irá custar a Pequim 20 milhões de dólares (17,5 milhões de euros) por ano. O negócio garante presença militar chinesa no país até 2026, com um contingente de 10.000 soldados.

Nos últimos anos, a China tem expandido os seus laços militares em África e, segundo um relatório do Conselho Europeu de Relações Internacionais, a cooperação com o continente africano em questões de paz e segurança é agora uma "parte explícita da política externa chinesa".

Em 2015, o Presidente chinês comprometeu-se a contribuir com 8.000 capacetes azuis para a ONU e com 100 milhões de dólares (87,5 milhões de euros) para as forças militares da União Africana.


sexta-feira, 14 de julho de 2017

Municípios paulistas buscam atrair investimentos chineses para projetos

13/07/2017 - Valor Econômico

Em tempos de restrições fiscais, as prefeituras paulistas buscam na China uma opção para driblar a crise e injetar ânimo em suas economias. Gestores municipais e 200 empresários brasileiros se reúnem hoje com autoridades e investidores chineses para tentar encaminhar projetos que podem gerar negócios no curto e médio prazos. 

O município de São Paulo quer atrair investimentos para seu pacote de privatizações, mas outras cidades se movimentam para fazer negócios com os chineses. Fernandópolis, na região oeste do Estado, pretende oferecer benefícios fiscais e outras facilidades e atrair o capital chinês para a compra de uma usina de açúcar e a instalação de uma fábrica de leite em pó. 

Vizinho de Fernandópolis, Estrela d'Oeste incentiva o frigorífico local a exportar mais para a China, enquanto Campinas negocia a ampliação da BYD, indústria de baterias para carros elétricos, filial de uma multinacional chinesa. 

O secretário municipal de Desestatização e Parcerias de São Paulo, Wilson Poit, é categórico ao afirmar que "há muito interesse chinês" nas privatizações propostas pela prefeitura. Ele conta que "toda semana" recebe empresários chineses na prefeitura e que o prefeito João Doria (PSDB) viaja para a China dia 21 para negociações. 

"Eles estão interessados principalmente em projetos imobiliários. Estamos estruturando um fundo com os imóveis da prefeitura e isso está atraindo a atenção deles. Para o Anhembi, que será privatizado, há projeto de transformar em resort integrado com centro de convenções. Também conversamos sobre Interlagos e a Operação Urbana Jorubatuba. O mais interessante é que os chineses financiam os projetos", diz Poit. 

Situada perto das divisas com Mato Grosso e Minas Gerais num trecho de escoamento de commodities por onde passará a ferrovia Norte-Sul, Fernandópolis negocia com chineses há meses. No reencontro com potenciais investidores, o prefeito André Pessuto (DEM) tentará agarrá-los pelo estômago, ajudando na operação de venda de uma usina de açúcar e oferecendo incentivos para instalação de uma fábrica de leite em pó no distrito industrial que ficará pronto em 60 dias e será cedido gratuitamente a investidores. 

A prefeitura de Fernandópolis investe ainda na modernização de um entreposto de commodities da cidade que terá capacidade ampliada. "Hoje passam pelo entreposto de 80 a 100 caminhões de grãos por dia. Quando a Norte-Sul ficar pronta serão 800." 

Autoridades, investidores e empresários da cidade de Zhuhai, no sul da China, desembarcam hoje em São Paulo para a maior rodada de negócios com governos e empresas brasileiros em 2017. Promovido pela Câmara Brasil-China de Desenvolvimento Econômico (CBCDE), o evento é mais um movimento da China na tentativa de ampliar sua participação em vários setores da economia global. 

Oscar Wei, assessor da CBCDE, diz que a crise política e a atividade fraca não espantam o capital chinês, que enxerga oportunidades no longo prazo e tem apoio estatal. Segundo ele, os chineses pretendem analisar oportunidades de compra de negócios ou fusões em setores definidos - imóveis, infraestrutura, agronegócio, startups, commodities, turismo e alimentação.


quinta-feira, 13 de julho de 2017

Banco chinês amplia atuação no Brasil

12/07/2017 - Valor Econômico

Com o aumento de investimentos de empresas chinesas no Brasil, diante das oportunidades de aquisição que surgiram com a crise e a retomada dos programas na área de infraestrutura, os bancos do país asiático estão reforçando a atuação no país.

Os cinco maiores bancos da China com presença no Brasil - Banco Industrial e Comercial da China (ICBC), Bank of China, Haitong, China Construction Bank (CCB) e Bank of Communications (BoCom) - representam, juntos, apenas 0,48% dos ativos totais do sistema financeiro local. Todavia, eles não precisam ter um balanço grande para operar no país, já que a maioria tem como foco a assessoria financeira e o suporte ao financiamento via repasse de linhas externas. Além disso, contam com a vantagem de trabalhar com agências de exportação e organismos multilaterais chineses para financiar as obras de infraestrutura no Brasil.

O ICBC, maior banco do mundo em ativos segundo a S&P, com US$ 3,47 trilhões no fim de 2016, pretende participar do financiamento de projetos de infraestrutura em parceria com o fundo Brasil-China, lançado em parceria com o governo brasileiro, de US$ 20 bilhões. Desse montante, US$ 15 bilhões virão do Fundo de Cooperação Chinês para Investimento na América Latina (Claifund). "O ICBC gostaria de participar da construção de projetos de infraestrutura no Brasil juntamente com o fundo Brasil-China como apoiador no financiamento", explica Xiaobo Li, diretor-presidente do ICBC Brasil, em entrevista por e-mail.

O ICBC tem trabalhado com agências de exportação chinesas para oferecer suporte financeiro aos projetos de infraestrutura no país, nas áreas de energia, transporte, construção municipal e outros setores. "A seleção dos projetos leva em consideração os requerimentos de políticas, estabilidade do retorno e controle do risco", destaca Xiaobo Li.

Essa também é a estratégia do Haitong. O banco iniciou as operações no Brasil em 2015, após adquirir as operações globais do Banco Espírito Santo Investimento (Besi). Com foco no serviço de assessoria financeira para os investidores e empresas chinesas que estão chegando no país, o Haitong tinha, em março, R$ 7,452 bilhões em ativos totais, segundo dados do Banco Central, e conta com sete a nove mandatos em andamento.

"Atuamos no processo de intermediação, seja na estruturação de projetos de infraestrutura ou na assessoria para aquisições e privatizações que tenham empresas chinesas interessadas, buscando soluções de financiamento tanto de curto quanto de longo prazos", afirma Alan Fernandes, presidente do banco no Brasil.

O Haitong assessorou a empresa chinesa China Gezhouba Group Corporation (CGGC) na compra da participação detida pelo consórcio liderado pela Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez na Parceria Público Privada (PPP) da concessionária Sistema Produtor de Água São Lourenço (SPSL). O banco também prestou assessoria para o grupo chinês Pengxin na aquisição de participação na Belagrícola, do setor de agronegócio.

Segundo Fernandes, há outras operações que interessam às empresas chinesas, principalmente nos setores de energia elétrica e renovável, agronegócio, óleo e gás, ferrovia e logística.

Na área de energia, o Haitong participou da assessoria da modelagem financeira e estudo de viabilidade para a EDP Energias do Brasil, que tem como acionista a China Three Gorges (CTG), que arrematou quatro lotes no último leilão de linhas de transmissão. O banco está na fase de estruturação do funding para financiar o projeto. Ao todo, a empresa prevê investir cerca de R$ 3 bilhões nas obras.

O pacote de projetos e concessões na área de infraestrutura do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) anunciado pelo governo neste ano, que deve somar R$ 45 bilhões, tem atraído investimento de empresas chinesas.

Além dos bancos presentes no Brasil, outros investidores asiáticos estão interessados em financiar projetos de infraestrutura no país, como o Fundo de Cooperação e Desenvolvimento entre a China e países de língua portuguesa. Há ainda a expectativa de que Fundo da Nova Rota da Seda, com US$ 40 bilhões de recursos, estenda os investimentos para América Latina.

Além do financiamentos para empresas chinesas que estão investindo no Brasil, projetos de companhias brasileiras que envolvam a importação de máquinas e produtos do país asiático podem contar com recursos do Banco de Importação-Exportação da China. "O funding desses organismos é em dólar e a estruturação do projeto tem de atender as expectativas de retorno", diz Fernandes, do Haitong.

A Petrobras, por exemplo, contratou uma linha de US$ 10 bilhões com o China Development Bank (CDB) no ano passado, dos quais apenas US$ 5 bilhões foram desembolsados. A companhia ainda pode acessar os US$ 5 bilhões restantes já pré-aprovados.

Os bancos chineses têm adotado estratégias diferentes para entrar no Brasil. O ICBC e o Bank of China decidiram abrir uma operação própria. Já o CCB adquiriu o BicBanco, o BoCom comprou uma participação de 80% do BBM e o Haitong entrou no país ao assumir as operações globais do Besi. Dos maiores bancos comerciais chineses, o único que não têm presença no Brasil ainda é o Agricultural Bank of China.

Comenta-se no mercado que bancos ou fundos chineses poderiam ter interesse em eventual venda do Banco Original e da Guide, plataforma de investimentos do Banco Indusval.

http://www.valor.com.br/financas/5034778/banco-chines-amplia-atuacao-no-brasil

Infraestrutura é um dos setores com oportunidades

12/07/2017 - Valor Econômico

Além dos bancos, empresas de investimento chinesas, como a Pengxin, Fosun e China Communications Construction Company (CCCC), têm ampliado a presença no mercado local.

O movimento de investimento de empresas chinesas no Brasil já vem acontecendo há algum tempo, mas a implicação de grandes construtoras brasileiras na Operação Lava-Jato trouxe a oportunidade de entrada em setores como o de infraestrutura. "Esse mercado era muito fechado, o que impedia empresas estrangeiras de entrar no Brasil", diz Eduardo Centola, sócio do Banco Modal.

A CCCC, que tem parceria com o Banco Modal, está olhando para projetos na área de ferrovias, portos e rodovias. O grupo tem interesse em participar do leilão de concessão da ferrovia Norte-Sul, previsto para 2018.

O Modal tem uma parceria com a CCCC por meio de uma joint venture, que inclui o grupo australiano Macquarie, e busca investimentos na América Latina. Além dessa parceria, o Modal atua como assessor da CCCC no Brasil e participou da operação de aquisição da Concremat Engenharia, por R$ 350 milhões, no ano passado. O banco está agora buscando financiamento com instituições financeiras da China para o investimento da CCCC na construção de um porto em São Luís. "Será R$ 1,7 bilhão de investimento e estamos finalizando o pacote de financiamento através de bancos e seguradoras chinesas a um custo interessante de longo prazo", diz Centola.

O Modal também assessora outros fundos e empresas chinesas que querem investir no Brasil. O banco está trabalhando para um investidor chinês interessado no setor de telecomunicação e deve receber, nesta semana, uma comitiva de investidores que buscam negócios no setor de saúde.

Segundo Centola, a turbulência política não tem afetado o interesse dos asiáticos pelo Brasil, uma vez que eles têm uma visão de investimento de mais longo prazo. "Pelo contrário, a turbulência política pode gerar oportunidades de compra", diz.

O grupo chinês Fosun também pretende ampliar a presença no Brasil. Depois de comprar uma participação na gestora Rio Brav o, no ano passado, o Fosun está olhando negócios nas áreas imobiliária, de saúde (principalmente hospitais), gestão de recursos, seguros e entretenimento.

O grupo Fosun é controlador da maior seguradora portuguesa, a Fidelidade, e possui outras empresas do setor financeiro no portfólio. No Brasil, o grupo é proprietário do Club Med.

A Rio Bravo atua como representante do grupo Fosun no Brasil, trabalhando na assessoria dos negócios. "De uma empresa de capital nacional, passamos a ter acesso a um conjunto de fontes de capitais mais ampla", diz Mario Fleck, presidente da Rio Bravo.

Uma das ideias, segundo Fleck, é criar um fundo de investimento híbrido, que contemple diferentes classes de ativos para oferecer aos investidores internacionais.

O Haitong também estuda o desenvolvimento de um fundo com investidores chineses para a investir em projetos de infraestrutura na América Latina.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Brasil emitiu quase 8 mil carteiras de trabalho para estrangeiros neste ano

23/06/2017 - Agência Brasil

No primeiro trimestre de 2017, foram emitidas 7.989 carteiras de Trabalho e Previdência Social a estrangeiros. Desse total, 3.017 foram para haitianos, 1.107 para venezuelanos, 443 para cubanos, 346 para argentinos, 311 para bolivianos, 282 para paraguaios, 250 para colombianos, 232 para peruanos, 219 para uruguaios e 190 para senegaleses, entre outras nacionalidades. 

Os dados são da Coordenação Geral de Imigração (CGIg), uma unidade administrativa do Ministério do Trabalho. Segundo o órgão, grande parte desses imigrantes entra no país utilizando o instituto do refúgio, mas nem todos se enquadram nos requisitos de refugiados pelo Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) do Ministério da Justiça. 

Nesses casos, o processo é encaminhado para análise do Conselho Nacional de Imigração (CNIg), que, se reconhecer a situação humanitária, concede a autorização de residência no país por prazo indeterminado.

O coordenador-geral de Imigração substituto da CGIg, Luiz Alberto Matos dos Santos, avalia que, apesar de um aumento do fluxo migratório nos últimos cinco anos, o índice de imigrantes ainda é pequeno. "Não chega a representar 1% da população, enquanto a média mundial é de 4%", informou. Segundo ele, a maioria dos imigrantes ocupa empregos pelos quais brasileiros não se interessam mais. 

O ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, diz que a nova legislação da imigração brasileira é destacada internacionalmente como uma das mais avançadas do mundo. "O Brasil exerce um papel de vanguarda ao reconhecer o imigrante como sujeito de direitos, com princípios e garantias estabelecidos em lei". 

As autorizações de trabalho a estrangeiros no Brasil são concedidas pelo Ministério do Trabalho, por meio da CGIg. A autorização é exigida pelas autoridades consulares brasileiras, para efeito de concessão de vistos permanentes ou temporários, a estrangeiros que desejem permanecer no Brasil a trabalho.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Temer e Putin manifestam convergências convenientes

22/06/2017 - Valor Econômico

O presente foi escolhido a dedo. Uma coleção de cinco cartas do imperador Pedro II para o tsar Nicolau II, o último da dinastia dos Romanov a ser eliminado pelos bolcheviques. O regalo do presidente da Rússia, Vladimir Putin, para o presidente Michel Temer veio acompanhado de um pedigree. As cartas estavam nos Estados Unidos. A Rússia as comprou de volta e agora presenteava o Brasil com um pedaço de sua história.

Não foi o único presente de Putin. Temer retornará na sexta feira ao Brasil com uma caixa de lenços que o presidente russo ofereceu à primeira-dama, Marcela. O esmero não se resumiu aos regalos. No último dia de sua visita à Rússia, Michel Temer ouviu de Putin todas as promessas de investimento que almejava. Se o presidente brasileiro buscava um alento internacional para sua delicada conjuntura interna, encontrou na Rússia um parceiro ideal.

O país de Vladimir Putin se debate com sanções comerciais dos Estados Unidos contra sua ofensiva pela Crimeia. No encontro de Temer com Dmitri Medvedev, o primeiro-ministro russo chegou a citar, explicitamente, a necessidade de seu país buscar aliados contra o bloqueio americano. A Rússia procura parceiros que sinalizem abertura para a União Euroasiática. E tem empresas pujantes em energia e infraestrutura.

A soma de todos os fatores bastou para que Goa se transformasse em um ponto perdido no mapa dos Brics. Foi lá que, em outubro do ano passado, o presidente brasileiro acabou esnobado por um Putin que, logo depois do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, se recusou a recebê-lo.

Foi assim que uma visita anunciada de última hora, a despeito de responder a um convite russo, rendeu um supreendente pronunciamento de Putin em relação ao interesse de suas estatais no Brasil e uma declaração conjunta dos dois países de contundente crítica à pauta do presidente americano, Donald Trump.

Putin e Temer reiteraram compromisso com o Acordo de Paris de combate às mudanças do clima, alvejado por Trump, e manifestaram rechaço à imposição unilateral de medidas coercitivas e sanções econômicas sem base no direito internacional. Concordaram na ênfase ao multilateralismo frente à tradição unilateral da política americana e convergiram tanto na defesa do Estado palestino quanto na condenação dos assentamentos israelenses ilegais.

O Brasil sinalizou positivamente à iniciativa entre Rússia e China em torno de um tratado pela prevenção de armas espaciais e se comprometeu a examinar as possibilidades da construção de novas usinas nucleares no Brasil, projeto de interesse russo. Os dois países defenderam que a solução para a Síria, a ser mediada pela ONU, preserve a independência, integridade e soberania daquele país, discurso que converge com a liderança russa naquele canto do planeta.

Em contraposição, a Rússia reiterou seu apoio ao Brasil como forte e merecedor candidato a membro permanente de um Conselho de Segurança da ONU e acatou, em meio a acusações de protagonismo na guerra virtual de informações, uma redação da declaração conjunta que sugere a adoção, pela comunidade internacional, de conduta responsável dos países no uso das tecnologias da informação e da comunicação.

O gesto mais concreto dessa aproximação, no entanto, veio com o pronunciamento que precedeu a declaração conjunta. Putin adornou a parceria-chave com o Brasil, o primeiro com o qual a Rússia estabeleceu relações na América Latina, há 190 anos, para avançar na pauta comercial.

Mencionou o interesse de duas estatais russas, a Rosneft e a Gazprom, em participar da modernização da infraestrutura brasileira. Lembrou o potencial de ampliação do parque hidrelétrico no país, no qual a Rússia já participa como fornecedora de turbinas para cinco usinas, e a ferrovia Norte-Sul.

Citou ainda a possibilidade de lançamento conjunto de satélite em Alcântara, além de uma base partilhada para o monitoramento de detritos espaciais. Falou ainda, com otimismo, sobre o fornecimento de urânio para usinas brasileiras. Pela manhã, o primeiro-ministro Medvedev, em encontro fechado à imprensa, tinha sugerido ao presidente brasileiro que o comércio bilateral deixe de ser mediado pelo dólar e passe a ser feito nas moedas dos dois países.

Temer pareceu surpreendido pela ofensiva russa. Depois de passar toda a visita pedindo investimentos e parcerias, limitou-se, durante seu pronunciamento, a citar Dostoiévski, Balé Bolshoi e a expectativa de uma final entre Rússia e Brasil na Copa de 2018. De concreto, citou a expectativa de o Brasil, ao assumir a presidência do Mercosul em julho aprofundar as relações com a União Euroasiática.

A única referência, indireta, à crise brasileira, veio na comemoração de Temer com o recuo da inflação, bem como da taxa de juros: Paulatina e responsavelmente, logo teremos juro de um dígito. Estava determinado a mostrar controle sobre a estabilidade da economia frente a um mercado que duvida de seu futuro, quando, sem combinar, apareceram os russos.