segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Poucos meses após Revolução Cubana, Fidel faz comício para multidão no Rio



Em 1959, premier é recebido por JK, Jango, Lott e Lacerda e participa de eventos na ABI e UNE. Líder dá autógrafo ao GLOBO, publicado em desenho de Epstein na 1ª página

Visita ao Rio. Na primeira página do GLOBO aparecem a foto do comício de Fidel Castro na Esplanada do Castelo, no Centro, e a dedicatória ao jornal escrita pelo líder cubano no desenho feito por Epstein

Dia 6 de maio de 1959. Sob aplausos, Fidel Castro discursou para o povo durante duas horas e dez minutos em comício realizado na Esplanada do Castelo, no Centro do Rio de Janeiro, então capital da República. Em ato organizado pela União Nacional dos Estudantes (UNE), o líder revolucionário cubano explicou, de um palanque, as razões que inspiraram o movimento que derrubou a ditadura de Fulgencio Batista em 1º de janeiro daquele ano.

A iniciativa fazia parte de um giro de 25 dias por países das Américas, incluindo os Estados Unidos, para esclarecer os objetivos e os planos da vitoriosa Revolução Cubana, além de atrair apoios de governos. Por sinal, um mês antes, em abril de 1959, antes de se tornar o inimigo número 1 da Casa Branca, Fidel Castro foi recebido como herói nos EUA, onde realizou comício para cerca de 35 mil pessoas no Central Park em Nova York. Em Washington, o jovem advogado barbudo que comandou o movimento popular que tirou do poder Batista posou para fotos em frente ao Capitólio. Ele também foi recebido por Richard Nixon, então vice-presidente no governo de Eisenhower, para uma reunião a portas fechadas.

Antes de chegar ao Rio, Fidel Castro e seus “companheiros barbudos” estiveram em São Paulo. Um acidente na pista do Aeroporto do Galeão, no Rio, fez o líder cubano mudar o seu programa de viagem antes desembarcar na capital do Brasil. Com isso, na noite do dia 30 de abril de 1959, o Bristol Britannia da Cuban Airlines com Fidel a bordo aterrissou no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Na cidade, ele deu entrevistas e foi convidado pelo presidente Juscelino Kubitschek a conhecer Brasília, a futura capital. De lá, seguiria direto para encontro em Buenos, retornando depois para o Rio de Janeiro.

Com o título “Fidel Castro revive no Rio os cansaços de Sierra Maestra”, O GLOBO noticiou na primeira página da edição do dia 7 de maio a visita do então primeiro-ministro de Cuba e sua comitiva de 50 pessoas. O “atribulado dia” do premier na cidade incluiu visita ao Batalhão de Guardas, onde se encontrou com o ministro da Guerra, marechal Teixeira Lott, e almoço com o presidente Juscelino Kubitschek e o chanceler Negrão de Lima, no Palácio Laranjeiras, em que foi servido vatapá. Participaram da recepção o vice-presidente João Goulart, os senadores Filinto Müller e Benedito Valadares, o embaixador do Brasil em Cuba, Vasco Leitão da Cunha, o embaixador cubano no país, Rafael Garcia Bárcena, o deputado Cid Carvalho, o ministro Aluísio Napoleão, Herbert Moses e Antônio Olinto, entre outros.

Na ocasião, JK elogiou o discurso de Fidel no Comitê dos 21, o que “deu um impulso notável à Operação Pan-Americana”. Ao final do almoço, Fidel também fez seus elogios, ao vatapá, e ofereceu um charuto Havana ao presidente brasileiro. Segundo reportagem do jornal, mesmo sem jeito, Juscelino deu algumas tragadas, confessando que era a primeira vez que fumava charuto.

Fidel também manteve reuniões com os estudantes na sede da UNE, no Rio, com outros políticos, entre eles os deputados Carlos Lacerda, San Tiago Dantas, Magalhães Pinto e Neiva Moreira e o prefeito Ademar de Barros, representantes da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e artistas. Depois da maratona de eventos na cidade, o primeiro-ministro de Cuba foi para o hotel Excelsior, em Copacabana, onde ficou com a sua comitiva. Lá recebeu artistas do rádio e da TV. Entre eles Ivon Curi e Angela Maria, que cantaram músicas populares brasileiras. O “comandante” gostou do “sarau” e pediu bis para ouvir de novo as canções.

Do próprio punho, o líder da Revolução Cubana também deu um autógrafo para O GLOBO em desenho feito pelo ilustrador Epstein. O desenho, com a assinatura de Fidel, foi publicado como a imagem principal da primeira página do jornal, ao lado da foto do comício no Centro do Rio, na edição do dia 7 de maio de 1959. “Un saludo al periódico O GLOBO en ocasión de nuestra visita a este extraordinario pais”, escreveu Fidel.


Leia mais sobre esse assunto em http://acervo.oglobo.globo.com/fatos-historicos/poucos-meses-apos-revolucao-cubana-fidel-faz-comicio-para-multidao-no-rio-20551384#ixzz4RLz3kgAQ 
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