sexta-feira, 15 de maio de 2015

Visita de premiê chinês servirá para abrir venda de jato e carne a Pequim

15/05/2015 - Valor Econômico

A presidente Dilma Rousseff e o primeiro ¬ministro da China, Li Keqiang, devem aproveitar uma reunião na próxima semana para avançar em questões como a entrega de jatos da Embraer à companhia aérea Tianjin Airlines e a abertura do mercado chinês à carne bovina brasileira. Keqiang, que chega ao Brasil na segunda-feira à noite para uma visita de trabalho, participará da assinatura de mais de 30 acordos governamentais e empresariais entre os dois países.

"Alguns acordos ainda estão em processo de finalização. Há a necessidade de ajustes em certos documentos, mas teremos certamente resultados muito interessantes", afirmou o embaixador José Alfredo Graça Lima, subsecretário¬ geral de Política II, que cuida das relações entre Brasil e China no Ministério das Relações Exteriores.

Um dos prováveis anúncios é o projeto de construção de uma ferrovia interoceânica, ligando o Atlântico ao Pacífico, com saída pelo Peru. Do lado brasileiro, o traçado inclui a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico), atravessa a parte já construída da Ferrovia Norte-Sul e continua até o litoral do Rio de Janeiro. Esse traçado já fazia parte do programa de concessões ferroviárias anunciado por Dilma, em agosto de 2012, que nunca atraiu o interesse das empreiteiras brasileiras e não pôde sair do papel. Agora, poderá contar com o apoio dos chineses, como investidores e financiadores.

No caso da indústria aeronáutica, um compromisso em torno da venda de 60 aeronaves da Embraer já havia sido celebrado com o presidente Xi Jinping, durante sua visita ao Brasil, no ano passado. Parte dos jatos será destinada à Tianjin Airlines e parte à ICBC Internacional Leasing. Agora, conforme explicou Graça Lima, Dilma e Li Keqiang vão concretizar a operação de venda e a entrega nos prazos acordados para 22 aviões do modelo E¬190 E2 à empresa aérea chinesa.

O embaixador confirmou que o volume total de investimentos envolvidos nos acordos a serem assinados alcança US$ 53,3 bilhões. "Esses projetos têm cifras estratosféricas, mas diferentes graus, diferentes estágios de implantação", afirmou. A ferrovia interoceânica e a segunda linha de transmissão para ligar a usina hidrelétrica de Belo Monte aos centros consumidores do Sudeste, outro projeto no qual os chineses têm interesse, dependem de licitação e de uma eventual vitória dos asiáticos contra outros concorrentes.

Graça Lima não soube detalhar se a China pretende atuar como construtora, investidora ou financiadora na ferrovia. Descartou completamente, no entanto, qualquer negociação em torno de flexibilização das leis trabalhistas para permitir a vinda de mão de obra pesada chinesa nas obras. "Não antevejo uma situação com essa".

Para o Itamaraty, o incremento dos negócios bilaterais não deve ser visto como tentativa de avanço geopolítico da China na América Latina, mas como um fortalecimento de relações mutuamente benéficas. "A contrapartida que o Brasil oferece é a sua economia. O desenvolvimento interessa aos dois países e não vejo nenhuma agenda secreta na maior diversificação de setores", disse Graça Lima, referindo-se aos investimentos chineses não só em recursos naturais, mas em segmentos como autopeças e equipamentos de transporte.

Li Keqiang chega na segunda-feira à noite, mas a cerimônia oficial de recepção ocorrerá apenas na terça-feira de manhã. Ele terá reunião com Dilma, no Palácio do Planalto, seguida da assinatura de atos e um almoço em sua homenagem, no Itamaraty. Depois, fará uma visita de cortesia aos presidentes do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. Li passará a quarta-feira no Rio de Janeiro e viajará para a Colômbia na manhã do dia seguinte.

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