sexta-feira, 15 de maio de 2015

Crise nas universidades públicas do Rio bate na porta das reitorias

15/05/2015 - O Dia

Depredação na Uerj e ocupação na UFRJ expõem situação difícil das instituições de ensino

Rio - A atual crise nas universidades públicas do Rio tem impactado não apenas os serviços de limpeza e segurança, mas também a assistência estudantil. Ontem, alunos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) ocuparam o prédio da reitoria depois que o reitor, Carlos Levi, deixou uma reunião do Conselho Universitário (Consuni) sem atender às reivindicações estudantis. O pagamento dos terceirizados, a revisão do edital de bolsa auxílio e a ampliação da moradia estudantil estão entre os principais pedidos dos estudantes.

Na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), a reitoria amanheceu depredada, depois de um protesto contra a atual situação da universidade, que reuniu cerca de cem pessoas na noite de quarta-feira. Um grupo de manifestantes, ainda não identificado, tentou invadir a sala do reitor com um quebra-quebra, deixando cinco servidores feridos. Em nota, a Uerj informou que instaurou processos de apuração do caso e que fez o registro de ocorrência na delegacia.

 
A reitoria da Uerj foi depredada na noite de quarta-feira, depois de um protesto que reuniu cem pessoas
Foto:  Divulgação

Lixo espalhado pelos corredores, banheiros sujos, lixeiras abarrotadas e elevadores sem funcionar normalmente não representam mais um cenário de novidade para quem estuda ou trabalha na Uerj. As aulas, no entanto, continuam acontecendo, por esforço de professores e alunos, que muitas vezes limpam as salas para utilizá-las. “Não fui ontem porque fiquei com medo de não ter segurança, depois da confusão, mas estamos com aula normal, até porque nosso calendário já está muito atrasado”, disse a estudante Luciana Cafasso, de 20 anos.

Na cantina do 11º andar do prédio João Lyra Filho, o mesmo da reitoria da Uerj, estudantes doaram cestas básicas aos servidores terceirizados, que estão sem receber os salários de abril. “Dinheiro é uma coisa que estudante não tem, mas a gente pode pegar comida em casa e trazer. Essa luta também é nossa”, disse Alessandra Galo, de 20 anos, aluna do curso Letras.

Apesar da greve dos terceirizados, com salários atrasando desde agosto do ano passado, um grupo pequeno continua indo trabalhar. “A luz da minha casa chegou a ser cortada, as coisas estão difíceis demais. Fico feliz de ver os alunos ajudando a gente”, comentou uma ascensorista, que não quis se identificar. “A gente vem pelas pessoas”, disse uma funcionária da limpeza.

Na Universidade Federal Fluminense (UFF), o restaurante universitário ficou sem funcionar ontem porque não havia quem fizesse a limpeza do local, também por falta de pagamento.

Reportagem de Amanda Prado

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